sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O telegrama de Juvenal




 O Juvenal tava desempregado há meses. Com a resistência que só os brasileiros tem, o Juvenal foi tentar mais um emprego em mais uma entrevista. Ao chegar no escritório, o entrevistador observou que o candidato tinha exatamente o perfil desejado, as virtudes ideais e lhe perguntou:

 - Qual foi seu último salário?

 - 'Salário mínimo', respondeu Juvenal.

 - Pois se o Sr. for contratado ganhará 10 mil dólares por mês!

 - Jura?

 - Que carro o Sr. tem?

 - Na verdade, agora eu só tenho um carrinho pra vender pipoca na rua e um carrinho de mão!

 - Pois se o senhor trabalhar conosco ganhará um Audi para você e uma BMW para sua esposa! Tudo zero!

 - Jura?

 - O senhor viaja muito para o exterior?

 - O mais longe que fui foi pra Belo Horizonte, visitar uns parentes...

 - Pois se o senhor trabalhar aqui viajará pelo menos 10 vezes por ano, para Londres, Paris, Roma, Mônaco, Nova Iorque, etc.

 - Jura?

 - E lhe digo mais... O emprego é quase seu. Só não lhe confirmo agora porque tenho que falar com meu gerente.
             Mas é praticamente garantido. Se até amanhã (sexta-feira) à meia-noite o senhor NÃO receber um telegrama nosso  cancelando,pode vir trabalhar na segunda-feira.

          Juvenal saiu do escritório radiante. Agora era só esperar até ameia-noite da sexta-feira e rezar para que não aparecesse
           nenhum maldito telegrama.

           Sexta-feira mais feliz não poderia haver. E Juvenal reuniu a família e contou as boas novas.

           Convocou o bairro todo para uma churrascada comemorativa a base de muita música.

           Sexta de tarde já tinha um barril de choop aberto. As 9 horas da noite a festa fervia. A banda tocava, o povo dançava, a bebida rolava solta. Dez horas, e a mulher de Juvenal aflita, achava tudo um exagero. A vizinha gostosa, interesseira, já se jogava pra perto do Juvenal.

           E a banda tocava!

          E o chopp gelado rolava!

          O povo dançava!

          Onze horas, Juvenal já era o rei do bairro.

          Gastaria horrores para o bairro encher a pança. Tudo por conta do primeiro salário. E a mulher resignada, meio aflita, meio alegre, meio boba, meio assustada.

           Onze horas e cinqüenta e cinco minutos........

          Vira na esquina buzinando feito louco uma motoca amarela...

          Era do Correio!

          A festa parou!

          A banda calou!

          A tuba engasgou!

          Um bêbado arrotou!

          Uma velha peidou!

          Um cachorro uivou!

          Meu Deus, e agora? Quem pagaria a conta da festa?

          - Coitado do Juvenal! Era a frase mais ouvida.

          -Jogaram água na churrasqueira!

          O chopp esquentou!

          A mulher do Juvenal desmaiou!

          A motoca parou!

          - Senhor Juvenal Batista Romano Barbieri?

          - Si, si, sim, so, so, sou eu...

          A multidão não resistiu...

          - OOOOOHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!

          - Telegrama para o senhor...

          Juvenal não acreditava...

          Pegou o telegrama, com os olhos cheios d'água, ergueu a cabeça e olhou para todos.

           Silêncio total.

          Respirou fundo e abriu o telegrama.

          Uma lágrima rolou, molhando o telegrama..

          Olhou de novo para o povo e a consternação era geral.

          Tirou o telegrama do envelope, abriu e começou a ler.

          O povo em silêncio aguardava a notícia e se perguntava.

          - E agora?

          Quem vai pagar essa festa toda?

          Juvenal recomeçou a ler, levantou os olhos e olhou mais uma vez para o povo que o encarava...

          Então, Juvenal abriu um largo sorriso, deu um berro triunfal e começou a gritar eufórico.

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          - Mamãe morreeeeuuu! Mamãe Morreeeeuuu!!!!!!!





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